Esse é um texto bastante curto e objetivo, que visa desmistificar alguns aspectos polêmicos sobre as eleições, em especial sobre a expressiva votação de Dilma no Nordeste.
Em primeiro lugar, alguns dados mostram que essa história de que o Nordeste elegeu Dilma sozinho é uma falácia, a começar pelos números:
Da soma entre Sul e Sudeste, Dilma obteve 2 milhões de votos a mais do que da soma entre Norte e Nordeste:
Não bastasse isso, a divisão do país também não é como se apregoa:
Além disso, análises de dados mais recentes demonstram que o crescimento de Dilma no segundo turno foi muito maior em cidades onde o bolsa-família é menor (menos de 25% da população atendida):
De todo modo, se nada disso convence a parcela radical dos eleitores de Aécio Neves, ainda indignados com o resultado das urnas, uma análise mais detida do contexto regional do Nordeste (e alguns dados sobre o bolsa-família) podem ajudar.
Vamos começar pelo bolsa-família. Nesse link, você poderá constatar que o bolsa-família não é um amontoado de vagabundos e mais de 70% deles trabalham:
Já nessa outra notícia, ficará claro que apenas a Bahia recebe mais bolsas-família do que São Paulo:
- http://www.conversaafiada.com.br/economia/2014/10/07/campello-desmonta-o-preconceito-contra-o-bolsa/
Aqui, é possível perceber que mais de 10% dos beneficiários do programa abriram mão voluntariamente de suas bolsas, por atingirem uma situação financeira que não mais demandava a assistência:
Já nesse outro fica claro que essa história de que beneficiário do bolsa-família tem mais filho para aumentar o valor do auxílio é balela. Ao contrário, a taxa de natalidade tem caído mais rápido entre beneficiários do bolsa-família do que no restante da população:
Esses são apenas alguns dados. Muitos outros podem ser examinados, inclusive com links que direcionam para as fontes, aqui:
Com relação ao valor dos benefícios e demais regras (escolaridade, vacinação...), o ministério do desenvolvimento social permite o acesso a todas essas informações:
Lá é possível constatar outras tantas ações adotadas pelo programa Brasil sem miséria.
Esse gráfico das eleições também demonstra que a votação de Dilma foi, via de regra, consideravelmente superior ao número de bolsas e não coincidiu com o número de bolsas em nenhum Estado, o que também esvazia bastante essa correlação:
Se nada disso convence, sugiro a leitura dessas quatro reportagens, nenhuma delas produzida por veículos de comunicação ligados ou apoiadores do governo (um deles, inclusive, estrangeiro):
As reportagens deixam claro o crescimento e desenvolvimento que o Nordeste tem experimentado na última década, inclusive esse ano, e que apenas parte disso está diretamente relacionado ao bolsa-família.
Há sim relação com a distribuição de renda, a construção de universidades, o aumento do consumo, a chegada da energia elétrica, o financiamento de produção agrícola, o minha casa minha vida, o super duper Pronatec entre tantas outras medidas.
Poderia também colocar que o Brasil saiu do mapa da fome, por exemplo, mas isso até poderia ser atribuído ao bolsa-família.
Como se viu, não é preciso uma pesquisa muito aprofundada para se extrair ao menos três conclusões:
1- O Nordeste não elegeu Dilma sozinho;
2- as mudanças sócio-econômicas experimentadas pelo Nordeste na última década evidenciam que o voto em Dilma é racional e lógico para a região, não fruto de desinformação ou ignorância; e
3- não é possível traçar qualquer correlação lógica e metodológica entre o bolsa-família e a reeleição de Dilma.
O acesso à informação certamente é capaz de derrubar qualquer preconceito! É com isso que o presente texto visa contribuir.
O que se pretende é a compreensão do contexto que elegeu Dilma de maneira clara e objetiva, com base em informações e dados concretos, e não em intuições e achismos.
Assim, me coloco aberto para examinar dados concretos que possam de infirmar qualquer uma dessas conclusões e eventualmente revê-las, caso tais dados se confirmem e de fato derrubem-as por terra.
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Obs: última atualização em 6 de novembro de 2014.



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