segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Nordeste, por que o PT?

Esse é um texto bastante curto e objetivo, que visa desmistificar alguns aspectos polêmicos sobre as eleições, em especial sobre a expressiva votação de Dilma no Nordeste.

Em primeiro lugar, alguns dados mostram que essa história de que o Nordeste elegeu Dilma sozinho é uma falácia, a começar pelos números:



Da soma entre Sul e Sudeste, Dilma obteve 2 milhões de votos a mais do que da soma entre Norte e Nordeste:




Não bastasse isso, a divisão do país também não é como se apregoa:







Além disso, análises de dados mais recentes demonstram que o crescimento de Dilma no segundo turno foi muito maior em cidades onde o bolsa-família é menor (menos de 25% da população atendida):



De todo modo, se nada disso convence a parcela radical dos eleitores de Aécio Neves, ainda indignados com o resultado das urnas, uma análise mais detida do contexto regional do Nordeste (e alguns dados sobre o bolsa-família) podem ajudar.

Vamos começar pelo bolsa-família. Nesse link, você poderá constatar que o bolsa-família não é um amontoado de vagabundos e mais de 70% deles trabalham:



Já nessa outra notícia, ficará claro que apenas a Bahia recebe mais bolsas-família do que São Paulo:


Aqui, é possível perceber que mais de 10% dos beneficiários do programa abriram mão voluntariamente de suas bolsas, por atingirem uma situação financeira que não mais demandava a assistência:


Já nesse outro fica claro que essa história de que beneficiário do bolsa-família tem mais filho para aumentar o valor do auxílio é balela. Ao contrário, a taxa de natalidade tem caído mais rápido entre beneficiários do bolsa-família do que no restante da população:




Esses são apenas alguns dados. Muitos outros podem ser examinados, inclusive com links que direcionam para as fontes, aqui:

Com relação ao valor dos benefícios e demais regras (escolaridade, vacinação...), o ministério do desenvolvimento social permite o acesso a todas essas informações:


Lá é possível constatar outras tantas ações adotadas pelo programa Brasil sem miséria.

Esse gráfico das eleições também demonstra que a votação de Dilma foi, via de regra, consideravelmente superior ao número de bolsas e não coincidiu com o número de bolsas em nenhum Estado, o que também esvazia bastante essa correlação:


Se nada disso convence, sugiro a leitura dessas quatro reportagens, nenhuma delas produzida por veículos de comunicação ligados ou apoiadores do governo (um deles, inclusive, estrangeiro):











As reportagens deixam claro o crescimento e desenvolvimento que o Nordeste tem experimentado na última década, inclusive esse ano, e que apenas parte disso está diretamente relacionado ao bolsa-família.

Há sim relação com a distribuição de renda, a construção de universidades, o aumento do consumo, a chegada da energia elétrica, o financiamento de produção agrícola, o minha casa minha vida, o super duper Pronatec entre tantas outras medidas.

Poderia também colocar que o Brasil saiu do mapa da fome, por exemplo, mas isso até poderia ser atribuído ao bolsa-família.

Como se viu, não é preciso uma pesquisa muito aprofundada para se extrair ao menos três conclusões:

1- O Nordeste não elegeu Dilma sozinho;

2- as mudanças sócio-econômicas experimentadas pelo Nordeste na última década evidenciam que o voto em Dilma é racional e lógico para a região, não fruto de desinformação ou ignorância; e

3- não é possível traçar qualquer correlação lógica e metodológica entre o bolsa-família e a reeleição de Dilma.

O acesso à informação certamente é capaz de derrubar qualquer preconceito! É com isso que o presente texto visa contribuir.

O que se pretende é a compreensão do contexto que elegeu Dilma de maneira clara e objetiva, com base em informações e dados concretos, e não em intuições e achismos. 

Assim, me coloco aberto para examinar dados concretos que possam de infirmar qualquer uma dessas conclusões e eventualmente revê-las, caso tais dados se confirmem e de fato derrubem-as por terra.

Outros textos do blog relacionados às eleições:

Obs: última atualização em 6 de novembro de 2014.

domingo, 26 de outubro de 2014

O GRANDE DEMOCRATA FRUSTRADO

Cumpri meu dever cívico e fui votar na mudança.

Às 20h em ponto ligo a televisão na Globo e, entre um gole e outro em meu copo d'água tirada do firinfinfim do lodo da Cantareira, assisto incrédulo à reeleição de Dilma Rousseff?

Como os nordestinos podem ser tão burros de reeleger essa mulher?

Tem que separar o resto do Brasil desses doidos. E de Minas que também votou nela. E do Rio também. Aliás, São Paulo, se fosse um país à parte, seria de primeiro mundo. Quero mais um gole daquela água.

Os caras estão gritando "o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo" em plena Globo? Que falta de respeito. Não se dão conta de que são bobos sim, tanto que elegeram essa mulher. É tanta burrice que vou desligar essa televisão!

Só me resta ir dormir porque tenho que trabalhar cedo amanhã para sustentar essa corja por mais quatro anos. Apago a luz e, por coincidência, bem nessa hora me bate um saudosismo indescritível do Governo FHC. 

Aquele sim foi o governante exemplar. Eu abria o jornal e não tinha um único escândalo de corrupção, nem nas notas de rodapé. Claro que tinha um ou outro boato sobre as privatizações, muito boas para o Brasil (Grande FHC), que não tinha nem celular antes disso. Mas nunca se provou nada. Nem lembro direito dessa história. Faz tanto tempo...

Bom, eram outros tempos. Bons tempos. Ainda dava para contar minimamente com o voto dos pobres e nordestinos.

Não existia esse bolsa-vagabundo. Que, aliás, nada mais é do que a unificação do Bolsa Escola com o Bolsa Alimentação que foi o FHC quem criou. Grande FHC. Pensou em tudo!

O pessoal tinha que ter elegido o Aécio. Cara sério, competente, de família de tradição lá em Minas. Que mudou o Estado. É idolatrado por lá! Votei nele nos dois turnos, pois tô cansado dessa polarização PT x PSDB, tem que ter alternância de poder poxa. Fora que pra São Paulo, ele e o Alckmin iam fazer uma bela dupla! Se dependesse de São Paulo seria AA. Aécio e Alckmin. Votei nos dois!

Me bateu sede de novo. Essa água tá com um gosto estranho. Acho que preciso trocar o filtro. 

Só o que me chateia é o Aécio dizer que ia manter o bolsa-vagabundo. Que, aliás, nada mais é do que a unificação do Bolsa Escola com o Bolsa Alimentação que foi o FHC quem criou. Grande FHC. Pensou em tudo!

O jeito é lutar pelo impeachment da Dilma ou por uma intervenção militar. Esse povo burro não sabe votar mesmo. Falei 2 meses com o porteiro do meu prédio (nordestino, claro...) pra votar no Aécio. Pergunta se adiantou? Não vão aprender nunca!

Com a Ditadura ninguém fazia essas bandalheiras de hoje. Tinha que andar na linha. Sim, teve um ou outro abuso. Mas não foi tudo isso que dizem. Fora que foi só com quem tava fazendo merda. Pergunta se alguém da minha família foi preso na ditadura?

Mas chega de sonhar. O Brasil vai continuar essa merda que não muda. Cheio de miseráveis que só aumentam, desemprego, inflação galopante, juros altíssimos, e o dólar então? Não dá nem para ir para Miami! Aliás, preciso ver quanto tá a passagem para minha viagem em fevereiro. Um amigo disse que os preços estão bons.

O Brasil sempre teve alguns problemas. Mas depois que o PT chegou ao poder, a coisa piorou muito. Saudades da ditadura. E do FHC. Grande FHC. Pensou em tudo e deu o país voando na mão do analfabeto sem dedo que estragou tudo.

Tem a viagem de Julho com as crianças também. Será que o pacote para Paris está muito caro? Seria bom Paris porque já encontramos o Juninho nas férias do Mestrado lá do ciência sem fronteiras. Se bem que já conheço, né... Depois penso nisso com calma.

Quer saber, foda-se. Eu não preciso dessa merda. Nunca precisei. Votei mais para tentar ajudar essa pobraiada burra. Mas se eles não querem ser ajudados, então que morram abraçados ao PT. Eu vou continuar rico de um jeito ou de outro.

Só Deus sabe o quanto ralei para ter tudo o que tenho. Especialmente depois daquela cagada que fiz com meus investimentos na década de 90. Caí naquela lorota da Encol! Mas me reergui sozinho depois da virada do milênio! E esses vagabundos mamando na teta do governo. Com o meu dinheiro...

Assim não dá. Vou-me embora do Brasil. Para os Estados Unidos! Aquilo sim é que é democracia. Mas vou esperar uns 2 meses que agora a eleição acabou e o dólar vai dar uma baixada boa.

Será que já consigo comprar o novo iPhone 6 desbloqueado? Vou ter que ficar esperto na alfândega.

Bom, que Deus nos proteja nesses 4 anos. 

Boa noite!

OBS: Esse texto é fictício e irônico. Não representa a posição do autor.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Falta d'água, eleições e você: tudo a vê!

Ele conseguiu!

Geraldo Alckmin mentiu para toda a população de São Paulo, disse que não faltaria água e se reelegeu:




Aliás, os próprios funcionários e diretores da Sabesp admitiram que não houve a devida divulgação da falta d'água em virtude de "ordens superiores":




Não foi por falta de aviso. Eu mesmo escrevi um texto enumerando esse e outros motivos para não votar no cara, dentre os quais a falta d'água já se destacava:


Os jornais também avisaram (foram até otimistas):


Contudo, não só faltará água, como também já está faltando:





Esse site, em que a própria população informa os episódios de falta de água, dá um panorama claro da situação calamitosa:


E deixem São Pedro fora dessa, pois a culpa é de Alckmin, segundo a ONU:


Esse tipo de conduta irresponsável, na qual se mente sobre a real situação de uma crise de abastecimento, já foi utilizada anteriormente por Fernando Henrique Cardoso, que mentiu sobre a crise elétrica que o Brasil vivia até que chegou o apagão:


"É lamentável que a propaganda oficial tente convencer a população escondendo que o provável racionamento tem como principal causa as falhas do modelo implantado no setor elétrico, no qual não houve a devida retomada de investimentos. Rever essa modelagem para que se realizem os investimentos é a única saída para evitar que a ameaça de racionamento se repita nos próximos anos." 


"'Não existe racionamento, existe administração da disponibilidade de água', diz a presidente da Sabesp. Em maio de 2000, o ministro da Energia do governo FHC dizia que não havia racionamento de eletricidade, mas 'gerenciamento da demanda de energia' (grandes indústrias eram 'convencidas' a reduzir o consumo em horário de pico)."

Aécio Neves não só pertence ao partido tanto de Alckmin quanto de FHC (PSDB) como também já elogiou ambos por suas competências e gestões:


De certo, considera normal essas crises de abastecimento que desamparem toda a população, coincidentemente em governos do PSDB.

Vamos reproduzir os elogios:

De Aécio para FHC:

"Não se trata de reconhecimento apenas ao sociólogo, ao pensador e à sua densa obra acadêmica, mas também ao líder que foi capaz de, à frente do país, criar bases para um novo patamar de desenvolvimento nacional."

De Aécio para Alckimin:

“Eu quero dizer da minha alegria de poder estar aqui aprendendo a cada dia e vendo a cada momento exemplos da extraordinária gestão do governador. Alckmin é a síntese daquilo que o Brasil precisa: seriedade e competência numa pessoa só”.

Realmente, Aécio Neves acerta ao menos em uma afirmação: os governos Alckmin e FHC foram extraordinários. Pois extraordinário é aquilo que foge ao ordinário, ao comum.

E de fato nada há de comum em se desabastecer 180 milhões de brasileiros (na época) de energia elétrica ou mais de 40 milhões de paulistas de água.

É um fato que, se Aécio Neves for eleito, teremos mais uma crise de abastecimento cuja culpa será de São Pedro, Zeus, Atenas ou Poseidon...

Ao que parece, os Deuses não se dão com o PSDB.

Portanto, não se esqueça: na próxima vez em que abrir a torneira e faltar água, o que, se ainda não aconteceu, está por vir, faça as pazes com os Todo-Poderosos e evite o 45 nas urnas!

sábado, 4 de outubro de 2014

Chega de Alckmia em São Paulo!


Faço minha derradeira - e certamente mais importante – contribuição ao primeiro turno do processo eleitoral 2014, embora incompleta.

A alquimia é uma mistura entre ciência e transcendentalismo adotada na antiguidade por meio da qual se buscava, através de processos químicos, transformar um material químico em outro, notadamente, pretendiam transformar metais comuns em ouro.

Hoje, passados uns bons milhares de anos desde os primeiros experimentos e avançando-se em tecnologia e química, chega a ser intuitivo à maioria dos indivíduos a impossibilidade – ou, no mínimo, hercúlea dificuldade – para se realizar tal feito.

Apesar disso, ainda existem alquimistas entre nós, aqui mesmo no Estado de São Paulo. Minto. Permitam-me corrigir: existem Alckmistas.

Apesar da lição já dada pela ciência, de impossibilidade de realização prática da alquimia, existem Paulistas que ainda acreditam ser possível obter resultados louváveis – ouro – utilizando-se matéria prima não tão distinta – latão.

Pretendem isso através de um procedimento bem mais simples (apesar de imensamente relevante): votando em Geraldo Alckmin para Governador do Estado de São Paulo.

Senhores Paulistas, Geraldo Alckmin é o latão da política. Jamais entregará resultados enriquecedores! E a simples analogia entre os metais não pretende configurar qualquer ofensa ou preconceito ao Ilustre Governador. Ao contrário, pretende apenas ilustrar o quão pobres de espírito, de coletividade e sociabilidade são suas ações como governante.

É difícil listar todas as “deficiências” (para usar um terno brando, já que já chamei o Governador de “latão”) do governo Alckmin.

Fiquemos, nesse primeiro momento, com exemplos que dispensam as pessoas dispostas a uma análise racional de uma investigação mais profunda e que, portanto, não serão acompanhadas de links para comprovação, já que qualquer pesquisa mequetrefe no Google as comprova:

  • Falta d’água - que (pasmem!!) NÃO é culpa de São Pedro, e sim do Governo Paulista. Esse FATO foi reconhecido pela ONU e decorre da  TOTAL falta de planejamento;
  • Hiperfaturamento e corrupção nas obras do metrô – tudo envolvendo o alto escalão do governo tucano. Segundo acusa uma das próprias empresas envolvidas, José Serra solicitou às empresas licitantes que formassem um cartel para dividir os trabalhos. Há também notícias de desvio de verbas. Todas as investigações foram arquivadas e postergadas. Nenhuma pressão midiática foi feita;
  • Atrasos milenares nas obras do metrô – essa eu sofro diretamente na pele. Baseado nos prazos prometidos, eu sonhava utilizar a linha 4 do metrô na faculdade. Ficou pronta bem depois da minha formatura e ainda não está pronta. A linha 6, que deveria estar próxima da conclusão, passará na porta da PUC e eu também utilizaria. As obras nem começaram. A linha 5 também já deveria estar ampliada e passaria na porta do meu trabalho. Quem sabe um dia... A linha 3 seria unida com a linha 2 antes de o Itaquerão ficar pronto. O Itaquerão já tem mais de 20 jogos realizados. A inauguração da linha, nem sinal. Tem também o trem até Guarulhos que foi anunciado e depois engavetado. Ao todo, 13% da quilometragem prometida foi entegue! Conclusão: acho que o trânsito é culpa das ciclofaixas mesmo...
  • Acidentes em obras de transporte – teve acidente na estação Pinheiros, nas obras do monotrilho e do rodoanel. Coincidentemente, há acusações de desvios de verba em todas elas. Preocupação com a saúde de operário é bobagem...
  • Falência e sucateamento das universidades públicas estaduais - São Paulo sempre contou com as duas universidades melhor ranqueadas no Brasil (USP e Unicamp), com altíssima produção científica. Apesar disso, ambas enfrentam crises financeiras muito sérias que prejudicam das salas de aula aos bandejões. Tudo por conta da má gestão tucana e do investimento irrisório em educação;
  • Pedágios mais caros do mundo – para quem adora comparações com outros países ou usar o argumento “aqui não é Copenhagen”, gostaria de saber porque pagamos pedágio a La Copenhagen então? Sim, são os mais caros do mundo e não é exagero algum. E se você não está nem aí porque se considera rico, com dinheiro para pagar o pedágio (acreditem, já ouvi esse argumento), saiba que tem rico em todo canto do mundo usando o dinheiro dele de modo muito melhor do que você pagando pedágio;
  • Violência extrema da polícia – essa afirmação será alvo de detalhamento abaixo. Mas é fácil constatar que a polícia Paulista se excede recorrentemente, em diversos contextos de atuação. Para ficarmos só nos casos “intuitivos”, basta lembrar do assassinato de um camelô sem qualquer motivo (quem viu o vídeo sabe que não há como discutir isso) em setembro. Até em professor a polícia já bateu;
  • Péssimos salários no funcionalismo público – o estado mais rico da federação está entre os lanternas na lista de salários públicos. Professores, policiais e membros do Poder Judiciário são apenas alguns exemplos de profissionais que recebem bem menos do que colegas que atuam em estados não tão abastados quanto o “todo poderoso” São Paulo. Para demonstrar como as deficiências da Alckmia estão relacionadas e impactam todo o progresso no estado, basta mencionar que os professores das já sucateadas e falidas universidades estaduais ficaram em greve por três a quatro meses esse ano. Em alguns campus, as aulas ainda não retornaram. Tudo por conta dos salários irrisórios dos professores (que quando protestam, apanham);
  • Preconceito contra minorias e populações carentes – esse tema decorre da violência policial, mas certamente extrapola o mero despreparo. É possível verificar que há um direcionamento de ações policiais violentas contra a população negra do estado. As reintegrações de posse fazem uso de violência desmedida todas as vezes, sem exceções. Homossexuais também são vítimas da abordagem truculenta de policiais ou, quando são vítimas de crimes homofóbicos, são ridicularizados em delegacias. Manifestações de professores, funcionários públicos, operários, estudantes ou compostas por qualquer outro setor que não possa ser diretamente associada à elite Paulista, são sempre taxadas de baderna que deve ser combatida com pulso firme;
  • Falência da segurança pública – mais polícia, mais truculência, mais intolerância, mais abordagens agressivas! Nada disso impediu a completa falência da segurança pública em São Paulo. Todos os índices de violência no estado são alarmantes. Apesar disso, o Governador tem a solução: mais polícia, mais truculência, mais intolerância, mais abordagens agressivas...;
  • Foi a PM paulistana quem iniciou os protestos de junho - para quem não se lembra, após uma das primeiras manifestações do MPL, a Folha de São Paulo publicou editorial clamando por uma repressão dura. Geraldão prometeu uma resposta dura àqueles que ele chamou de baderneiros. Foi essa resposta que deu início aos protestos de junho.

Esses são alguns motivos absolutamente intuitivos para não votar em Alckmin. Mas uma pesquisa na internet revela muitos outros, além de confirmar todos eles. Vamos lá.

Tem muitos, muitos, muitos motivos, não só dessas "balelas" de direitos humanos, falta de água, violência e "blá blá blá", mas também de modelo econômico, desenvolvimento industrial, desemprego, enriquecimento, temas tão legais...:
http://45motivos-para-nao-votar-alckmin.blogspot.com.br/

A água vai ACABAR após a eleição:
http://bandnewstv.band.uol.com.br/noticias/conteudo.asp?ID=729076&tc=cotidiano-se-nao-chover-agua-do-sistema-cantareira-acaba-em-52-dias-diz-secretario

E deixe São Pedro Fora dessa. A culpa é de São Alckimin:
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/08/1508504-falta-de-agua-e-culpa-do-governo-de-sp-afirma-relatora-da-onu.shtml

Será que a polícia é racista?:
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/03/taxa-de-negros-mortos-pela-policia-de-sp-e-3-vezes-de-brancos-diz-estudo.html

Esse racismo é a toa?:
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/orientacao-racista-na-pm-sp-provoca-indignacao-de-grupo-de-direitos-humanos/

E fora a polícia, o descaso com a segurança pública é também racista?:
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/02/homicidio-e-causa-n-1-de-morte-nao-natural-de-negros-em-sp-diz-estudo.html

Tem muitos outros links e notícias que podem ser incluídas e serão ao longo do dia.

De todo modo, o que verdadeiramente importa é que esse governo não é apenas incrivelmente incompetente, ele também é ultra preconceituoso, racista, elitista e corrupto.

Grande parte disso conta com a conivência dos Paulistas, muitos também elitistas e preconceituosos. Outra boa parte está acobertada pela ausência de alternância no poder, que faz com que as políticas no estado não estejam sujeitas a controle ou vigilância. A própria mídia não noticia como deveria, tanto que já esqueceu os cartéis do metrô sem que qualquer conclusão fosse atingida.

O que é realmente surpreendente é que um governo com esse número de problemas, de verdadeira incompetência, seja aprovado por metade dos eleitores. O Governador nem sequer será submetido a um segundo turno.

Ou seja, não precisa ampliar compromissos, fazer propostas amplas ou reformas estruturais. Seu comando nesse barco desgovernado agrada a todos os inertes do estado, montados na falsa impressão de que está tudo bem pelo simples fato de o estado ser rico desde a sua concepção. Mas saibam o estado ESTÁ, também, ficando mais pobre por conta dessa incompetência toda. Algumas notícias acima mostram isso.

O mínimo que esse governo merece (para não falar em ser sumariamente enxotado) é ser confrontado em um segundo turno. Mas nem isso os Paulistas pretendem, darão ao governador a reeleição em primeiro turno, após vinte anos do partido no poder (doze dele), como se tudo estivesse maravilhoso. Não está!

Por isso, faço um apelo: vote em QUALQUER outro no primeiro turno. Dê a São Paulo a oportunidade de debater com mais profundidade ao invés de simplesmente chancelar, mais uma vez, um governo corrupto, incompetente e preconceituoso que está no poder há duas décadas. Construa novas possibilidades!

Esse é o mínimo. Se você possui uma insatisfação, no mínimo (e é o mínimo mesmo), submeta o Governador à pressão de um segundo turno. Mostre que o continuismo possui ao menos algumas (infinitas) insatisfações e faça-o assumir uma agenda séria.

Ninguém está aqui defendendo uma ou outra ideologia política (e todos bem sabem que eu tenho a mínha). O debate é bem mais simples e raso do que esse, independe de ideologia.

A proposta é apenas pressionar um governo incompetente a ser melhor, simplesmente por se fazer outra escolha no primeiro turno. É só isso. Não dê um cheque em branco a quem pelo já fraudou pelo menos dois ou três no passado. O segundo turno serve ao menos para que se coloque algum valor naquele cheque. Pode até ser fraudado (e em regra é), mas o referencial é outro, a agenda de compromissos é muito mais ampla em um segundo turno.

Esse texto está incompleto e aberto a sugestões de temas e links pelos que concordam e querem complementar (é quase impossível lembrar de todos os podres e incompetências de vinte anos de descaso e o tempo é curto até a eleição). Mandem sugestões!

Essa é a maior contribuição que posso dar a essa eleição.