sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

As lições de 2012

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que não sou muito fã de retrospectivas.
Não pretendo fazer retrospectivas de outros anos e nem me empolgo com análises dos fatos dos 12 meses que passaram.

Mas esse ano foi diferente. Esse ano foi um ano marcante e, ao olhar para trás, senti que precisava gravar o que ele representou.
Principalmente pelos fatos inusitados que ocorreram e pelo aprendizado que tais fatos deixaram.
Não sei para quem escrevo essa retrospectiva. Provavelmente para mim.

2012 era o ano em que o mundo deveria ter acabado. Não acabou. Mas mudou muito a minha vida.

Para falar de 2012, preciso começar falando do final de 2011.

No natal de 2011, fizemos uma roda em família na qual perguntou-se para cada um o que aquele ano representou.

Na minha vez, disse que 2011 estava entre os melhores anos da minha vida.

Em 2011, me formei na faculdade, fui efetivado no meu trabalho, passei na prova da OAB, arrumei um novo apartamento para morar e conheci uma garota sensacional, que rapidamente se tornou minha namorada.

Achei que seria um ano muito difícil e cansativo, mas o apoio da minha namorada facilitou em muito as coisas.

Nós nos damos muito bem, gostamos das mesmas coisas, nos apoiamos mutuamente nos desafios, nos divertimos muito, conversamos sobre muitas coisas, enfim, o relacionamento sempre foi excelente.

Evidente que não era perfeito, pois sempre existem coisinhas para melhorar, mas era muito bom.

2012 começou da mesma maneira, bem e feliz. Passamos juntos a virada.

O ano seria igualmente cansativo, pois agora era ela quem passava pelo 5º e último ano da faculdade e teria que enfrentar OAB, monografia e efetivação.

Para completar, sua avó estava doente, o que era mais um motivo de desgaste e estresse.

Mesmo assim, nosso relacionamento continuava muito bem e eu estava feliz com minha nova vida de formado, fazendo exercícios físicos diariamente, trabalhando em algo que gosto e com tempo para fazer as coisas que queria.

Logo no início do ano, a doença da avó dela piorou, a cobrança no escritório aumentou e a prova da OAB chegou.

Isso nos aproximou ainda mais, fiz tudo o que podia para apoiá-la e auxiliá-la.

Com a aprovação dela na OAB, as coisas se acalmaram, apesar das outras questões e, assim, decidimos ir aos jogos jurídicos em São José do Rio Preto.

Já havíamos viajado para o Rio de Janeiro no início do ano e para Ubatuba no Carnaval, então não havia muita novidade.

Nos divertimos no primeiro dia de jogos, apesar da chuva. De noite, o cansaço nos impediu de ir para a festa. Optamos por ficar em casa e descansar.

O segundo dia foi igualmente divertido e chuvoso. De noite, finalmente fomos à uma festa dos jogos.

A festa foi muito boa, dançamos e nos divertimos bastante. Como sempre fomos animados, recusamos o convite para irmos embora e continuamos na festa até tarde.

Foi a partir daí que se iniciou uma verdadeira reviravolta em nossas vidas.

Na hora de ir embora, optamos por ela dirigir, já que ela não tinha bebido nas últimas horas.

Por motivos incertos, erramos o caminho de volta e, ao tentar fazer o retorno, fomos atingidos, na lateral do motorista, por um caminhão.

Tudo isso me foi contado, pois só lembro de acordar dentro do carro com ela desacordada ao meu lado.

Desde então, não ouvi mais a voz da Bianca.

Tive alguns ferimentos moderados, como fratura de clavícula e traumatismo craniano leve. Fiquei 4 dias internado e demorei mais de 60 para poder utilizar o braço novamente.

Minha namorada, porém, sofreu um traumatismo craniano gravíssimo, que a manteve em coma profundo por ao menos 2 meses, fazendo progresso muito lento e pouco perceptível durante esse período.

Não bastasse isso, sua avó faleceu no mesmo dia!

Essa foi a primeira grande lição de 2012.

Aí aprendi a valorizar as pessoas que amo, a vida que tenho, os momentos bons que partilho.

Valorizei imensamente minha família e o apoio que me deram! Me aproximei mais deles e tentei aumentar a demonstração de afeto.

Parece besteira, mas, de fato, me dei conta de algo que no fundo já sabia.

Entendi que minha vida sempre foi muito fácil, que minha condição social fez com que jamais tivesse passado dificuldades significativas.

Vivenciei isso na prática!

Aprendi a respeitar ainda mais as pessoas que tem dificuldades e tragédias como rotina em suas vidas.

Não posso ser hipócrita.

O que mais aprendi em 2012 foi a sofrer. E sofrer muito.

Sofri imensamente com a situação da Bianca, com as incertezas sobre sua melhora.

Por mais de uma vez, me vi resignado, questionando se existiam de fato condições para que a Bi se recuperasse e voltasse a ter uma vida normal.

E foram essas situações que trouxeram a segunda grande lição.

A lição da persistência, da perseverança.

Com o sofrimento, acho que pela primeira vez em minha vida soube colocar o bem estar de alguém acima do meu.

Entendi que a Bianca precisava e muito de mim e de todos aqueles que a amam.

Precisava de força, de ajuda, de incentivo. Precisava de conforto, de segurança...

Nesse momento, meu sofrimento se tornou algo totalmente secundário, pois a prioridade era fornecer todas as condições para a recuperação da Bianca.

Claro que isso não deixou de ser uma forma de combater meu sofrimento, pois, com ela boa, tudo estaria resolvido.

Jamais foi uma opção ajudar a Bianca, foi uma necessidade.

Não negligenciei nem menosprezei o que sentia, apenas dei maior importância ao sofrimento e condição da Bianca, que eram muito mais relevantes!

O grande problema para mim era que me sentia sozinho.

Não tinha mais minha companheira ao meu lado, mas, ao mesmo tempo, jamais tive qualquer interesse em romper meu vínculo com ela.

Isso dificultou bastante minha vida social, pois não conseguia me divertir como antes, me sentia deslocado.

Mais uma vez, uma lição foi aprendida.

Adaptei minha vida para que pudesse estar feliz mesmo sem ela.

Voltei a praticar atividade física, alterei meus programas noturnos e de lazer, passando a valorizar mais a qualidade do tempo despendido com os amigos.

Ao invés de baladas e noites a dentro – nas quais não me sentia mais tão à vontade –, passei a priorizar conversas, boas risadas, jantares...

Curiosamente, essa adaptação, de certa forma, me aproximou da Bianca.

Isso porque passei a priorizar de maneira muito mais intensa os meus estudos.

Iniciei uma pós-graduação para a qual me dediquei muito, me interessando pelas aulas e pelos temas discutidos.

Também passei a traçar planos de estudos para o futuro, decidindo o que, quando e onde estudar.

Tais fatos representam uma aproximação da Bianca sim, pois ela sempre foi muito estudiosa e apaixonada pelos estudos.

Grande lição que ela me ensinou!

Isso fez, ainda, com que eu me aproximasse ainda mais da família dela.

Desenvolvi uma verdadeira relação de afeto com eles e passei a admirirar imensamente a dedicação e perseverança da mãe dela que, desde o acidente, não só dedicou todo o seu tempo à Bianca, como também se manteve invariavelmente otimista.

Isso também me ajudou a afastar a tristeza quando questionamentos surgiam, pois via nela fonte de esperança!

Quando as coisas começaram a entrar nos eixos, mais um baque surpreendente.

De uma hora para outra, sem mais nem menos, a namorada de um grande amigo meu faleceu.

Esse sim foi um dos eventos mais tristes que já presenciei.

Uma menina jovem, super legal, bonita e feliz, com a vida toda pela frente, simplesmente se foi.

Naquele momento, aprendi talvez a maior lição do ano.

Aprendi a dimensionar meu sofrimento e respeitar as situações da vida de cada um.

A Bianca está viva e com boas chances de se recuperar plenamente!

Isso é motivo de alegria, pois ela tem sim uma segunda chance, de recomeçar tudo de novo.

Também aprendi a dar suporte e a respeitar as situações da vida daqueles que gosto.

Quando essa tragédia ocorreu, não houve como pensar duas vezes, tratei de ir dar todo o suporte ao meu amigo, reconhecendo a tristeza inigualável da situação que a vida lhe impôs.

Precisei ler e compreender rapidamente a complexidade e dificuldade de uma situação que fazia todos os meus problemas parecerem fáceis.

Não sei se dei todo o apoio que deveria e se fiz tudo que estava ao meu alcance para dar suporte a esse grande amigo.

Mas tentei fazer isso respeitando o espaço e individualidade dele.

Já no fim de 2012, a última grande lição dada por esse ano tão confuso.

A lição da esperança.

A Bianca finalmente teve alta do hospital e pode ir para casa.

Em casa, vimos muitos progressos sendo feito rapidamente.

Esses progressos estão todos narrados nos boletins que escrevo regularmente sobre ela.

Mas o que importa para esse texto é que a minha confiança na recuperação plena da Bianca foi renovada.

Hoje faz 243 dias que eu e a Bianca nos acidentamos. Arredondando, 8 meses.

Olhando para trás, imaginava que hoje ela já estaria recuperada. Jamais imaginei que demoraria tanto.

Porém, olhando para trás novamente, sempre tive grandes dúvidas se essa recuperação era plausível. Hoje essas dúvidas são mínimas!

O mesmo tempo que está demorando a trazer a Bibi de volta a traz mais para perto a cada dia e aumenta nossa confiança.

Hoje a Bibi já demonstra consciência, interage quase que todo o tempo com as pessoas e objetos a sua volta.

A última lição do ano é clara. A esperança, a fé (não necessariamente religiosa), o otimismo, são sim instrumentos importantíssimos para que não nos esqueçamos nunca daquilo que realmente importa!

A lição geral que tiro e que transmito de 2012 é que nossa vida muitas vezes é e será confrontada por momentos extremamente difíceis, que talvez jamais possamos compreender completamente.

Não adianta tentarmos negar. Esses momentos trarão sim dor e sofrimento. Desejaremos que jamais tivessem ocorrido.

Mas não é possível modificá-los.

Então, só há um caminho. Aprender e crescer com eles, extrair ensinamentos.

E isso será feito mesmo que não queiramos.

Não sei se eu quis ou me esforcei para aprender com os fatos de 2012, simplesmente aprendi.

O tempo se encarrega de minorar nosso sofrimento e abrir caminho para novas experiências, que tragam novamente prazer e felicidade.

Com as lições aprendidas nos momentos de dificuldade, certamente saberemos aproveitar de maneira muito melhor as boas oportunidades com as quais seremos agraciados!

2012, o ano em que o mundo não acabou. Talvez se o mundo acabasse, seria tudo mais fácil. Mas o fato de a vida continuar é que nos obriga a superar obstáculos e nos torna pessoas melhores.

Sem dúvida, foi um ano trágico, com muitas mortes de imortais, como Hebe, Chico Anysio e Oscar Niemeyer. Sem dúvida foi um ano marcante (principalmente para os corintianos).

Mas, no final, o que 2012 fez realmente foi abrir as portas para um excelente 2013, tenho certeza.

Nunca fui muito adepto da filosofia “ano novo, vida nova”. Sempre achei que era apenas um dia após o outro.

Hoje penso diferente. Penso que é uma oportunidade para revermos o que passou e ajustarmos nosso caminho.

Talvez isso seja apenas uma ilusão.

De qualquer forma, desejo a todos um excelente 2013.

Mas, se não for excelente, lições serão aprendidas para os bons momentos que certamente hão de vir!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

CORINTHIANS e seu incomparável crescimento na adversidade!



Em 1 de setembro de 1910, o Sport Club Corinthians Paulista era criado por 4 operários no Bom Retiro, em São Paulo.


Nessa mesma época, muitos outros pequenos clubes de futebol foram criados em toda a cidade de São Paulo. O futebol pipocava por todo o estado.

O simples fato de um time criado nessas condições ter se tornado um dos maiores do mundo, por si só, já é um feito atípico e extraordinário.

Mais tarde e já relativamente grande, o Corinthians passou quase 23 anos, entre 1954 e 1977, sem ganhar um único título de relevância.

Curiosamente, a torcida do clube cresceu e se consolidou nesse período como a segunda maior do país.

Para se ter uma ideia, um ano antes do título, em 1976, a torcida apaixonada deu imensa demonstração de força, protagonizando o maior deslocamento de longa distância de uma torcida de futebol (quiçá, esportivo) da história, quando nada menos do que 70 mil corintianos pegaram a Via Dutra e foram assistir à semifinal do Campeonato Brasileiro de 1976 no Maracanã contra o Fluminense.

Apesar disso, o Corinthians foi derrotado na final daquele torneio.

Começava ali a alcunha que o corintiano carrega até hoje com muito orgulho: Sofredor!!

Em 1990, o Corinthians já era um time imenso há muito tempo, mas ainda não tinha ganhado um único campeonato nacional.

Um clube pelo qual passaram Sócrates e Rivelino, que teve times mágicos e insuperáveis, jamais havia levantado uma taça nacional.

Mais uma vez, o sofrimento entrou em campo. O Corinthians não era favorito ao título, pelo contrário, era considerado um time mediano.

Mas com muita garra e confiando na bola parada do craque Neto, o clube se superou e levou seu primeiro caneco nacional em cima do segundo maior rival, o São Paulo.

Depois disso, a conquista do maior título do país se tornou recorrente, foram 5 até hoje.

Contudo, o mundo se globalizava e o futebol também. Os campeonatos estaduais e nacionais perderam força gradativamente, dando espaço para os campeonatos continentais.

Nesse período, novo trauma. O Corinthians sucumbiu na Libertadores por duas vezes consecutivas diante de seu maior rival, o Palmeiras.

Além disso, foi obrigado a ver o rival sagrar-se campeão continental. Dentre os 4 grandes de São Paulo, apenas o Corinthians não tinha o Troféu ainda.

Ambas as eliminações foram traumáticas e, justamente por isso, veio a resposta, o crescimento na adversidade.

Em 2000, a FIFA organizou seu primeiro Mundial Interclubes, escolhendo o Brasil como sede e dando ao Corinthians vaga inquestionável como campeão do país sede.

O Timão se sagrou campeão após enfrentar clubes de todo o mundo, incluindo o poderoso Real Madrid (Campeão da Champions League 1998) e o Vasco da Gama (Campeão da Libertadores 1998), ainda  com participação do Manchester United (Campeão da Copa Intercontinental Toyota 1998), que abriu mão da Copa da Inglaterra exclusivamente para disputar esse torneio.

O episódio representou outra invasão ao Maracanã, quando aproximadamente 30 mil corintianos compareceram à final.

Não foi fácil e o Corinthians não era favorito, mas superou na raça os outros times.

No ano seguinte, a empresa que organizava o torneio e já estava com a edição de 2001 preparada, faliu, o que acabou por desestruturar a competição por alguns anos.

Mesmo assim, o campeonato retornou em molde praticamente idêntico em 2005.

Assim, muito embora a regra do Mundial Interclubes permita até hoje que o país sede SEMPRE possua um representante, a conquista sempre foi questionada pelos rivais, que estavam acostumados a jogar um jogo contra um clube arbitrariamente escolhido como representante do resto do mundo e, assim, se autodenominar (sem chancela da FIFA) Campeões Mundiais.

Todos esses episódios e muitos outros criaram o espírito de garra e superação que já não pode ser desvinculado do Corinthians.

Mas não foram suficientes para que o clube se tornasse um dos maiores do mundo.

Era preciso mais sofrimento, mais adversidade, mais superação para que o clube se tornasse um verdadeiro papa títulos e se consolidasse como potência mundial.

Dito e feito. Em 2007, o Corinthians, aos 97 anos, era rebaixado pela primeira e única vez em sua história para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro.

E é justamente aí que se inicia a história que será contada nesse texto.

Já no campo, a torcida demonstrou que esse episódio seria mais um divisor de águas capaz de alçar o time a um novo patamar.

Evidente que existiram cobranças e indignações, mas o que ficou efetivamente marcado foi a manifestação apaixonada da torcida que, desolada, urrava: "Eu sooou Corinthians! Eu nunca vou te abandonarPorque eu te amo!"

Essa demonstração de amor finalmente chamou a atenção dos diretores do clube para o fato de que esse time era forte, muito forte e que essa força toda estava concentrada em um fator chave: Uma torcida gigante e completamente apaixonada.

Assim, foi criado o primeiro produto de sucesso absoluto de vendas do clube:



Hoje, essa camisa já conta com mais de 1,2 milhão de unidades vendidas.


O clube montou um bom time para disputar a série B, fortaleceu seu sistema de marketing e fechou acordos recordes de patrocínio, além de ganhar transmissão exclusiva da série B.

Logo de cara, o time fez campanha excepcional na Copa do Brasil, parecendo que voltaria à Libertadores antes mesmo de voltar à Série A.

Se isso tivesse ocorrido, talvez a lição do rebaixamento tivesse sido incompleta.

O clube fracassou na Copa do Brasil, apesar do franco favoritismo. Contudo, fez a melhor campanha da história das séries A e B do brasileirão, voltando em grande estilo e com média de público recorde, apesar de jogar apenas no Pacaembu.

Tive o privilégio de estar no estádio tanto no jogo do acesso quanto no do título da Série B.

Todo esse sofrimento trouxe grande crescimento ao Corinthians, que finalmente passou a explorar como deveria seu potencial econômico, atraindo grandes investimentos e jogadores de alto nível.

De quebra, criou o programa “Fiel Torcedor” que alçou as arrecadações com bilheteria do time a um novo patamar.

Para a volta à série A, contratou Ronaldo Fenômeno, em uma das mais ousadas estratégias de marketing já elaboradas pelo futebol brasileiro.

Corinthians e Ronaldo viveram verdadeira lua de mel, com muitos gols, dois títulos inquestionáveis e com atuações de gala.

Então, foi hora de trazer mais jogadores de alto nível, como Roberto Carlos, para finalmente concretizar o sonho de vencer a Libertadores.

Nesse momento, o Corinthians já havia assumido e disparado no posto de time com maior receita do Brasil, além de contar com audiência e média de público constantemente altíssimas.

O sofrimento do rebaixamento trouxe a consolidação do time como mais promissor do Brasil, fazendo com que o Corinthians experimentasse euforia e glórias.

Chegou então o ano do centenário do clube: 2010.

O planejamento foi milimetricamente elaborado para que o clube finalmente se sagrasse campeão da Libertadores naquele ano.

Nada deu certo.

Mais um trauma na história do time, que foi eliminado nas oitavas de final contra o Flamengo. Eu estava em ambos os jogos.

O clube não conquistou um único título em seu centenário.

No entanto, isso representou nova superação, pois a paixão pelo Time levou nada menos do que 100 mil pessoas ao Anhangabaú, para a festa de 100 anos. Eu também estava lá!

Nessa festa, aproveitou-se para anunciar a construção do tão sonhado estádio, que mais tarde se tornou sede da abertura da Copa do Mundo de 2014.

Pouco tempo depois, o time sofreu mais um duro golpe ao perder seu até então vitorioso técnico Mano Menezes para a Seleção Brasileira e contratou Tite, que chegou com muita desconfiança e ainda fracassou de cara no Campeonato Brasileiro daquele ano, apesar do favoritismo.

Seriam todos esses episódios suficientes para que os mais altos sonhos corintianos fossem finalmente alcançados, com construção de estádio, além da conquista da Libertadores da América e novamente do Mundial Interclubes?

Evidente que não.

A relação umbilical do Corinthians com o sofrimento precisava de mais um capítulo de adversidade para que o céu finalmente se tornasse o único limite.

Dito e feito.

O Corinthians sofreu, provavelmente, a maior humilhação já sentida por um clube brasileiro em uma competição internacional (talvez igualada pelo Internacional contra o Mazembe), ao perder para o absolutamente inexpressivo Tolima, ainda na pré-Libertadores.

Tudo isso com Ronaldo e Roberto Carlos em campo.

O golpe foi duríssimo, tanto que derrubou os dois ídolos do time de uma só vez e ainda sacramentou a aposentadoria do Fenômeno.

A humilhação e a total desestruturação sofridas levava a crer que teríamos imediata troca de treinador, como sempre foi feito, seguida de absoluta perda de rumo do time nos campeonatos subsequentes.

Pelo contrário, o Corinthians, mais uma vez, cresceu.

A diretoria cresceu e bancou, apesar da revolta, a permanência do Técnico Tite.

O time cresceu e venceu de maneira heroica e apertada o campeonato Brasileiro de 2011.

Finalmente, estávamos prontos, embora nem imaginássemos.

Fomos para a disputa da Libertadores receosos pelo vexame do ano anterior.

Como se isso não bastasse, não possuíamos uma única estrela de peso.

Tínhamos um bom time, mas só isso.

Para completar, logo no primeiro jogo, assistimos novamente, por aproximadamente 90 minutos, ao filme da eliminação contra o Tolima.

Isso porque perdíamos por 1 x 0 para o inexpressivo Deportivo Táchira.

Mas a história não se repetiu e Ralf, volante que possui apenas 5 gols em 172 jogos pelo Corinthians, marcou de cabeça.

Depois disso, o time teve vida fácil na primeira fase da Competição, se classificando em 1º do seu grupo e com a segunda melhor campanha no geral, além da melhor defesa da competição.

Mesmo assim, a confiança ainda não era absoluta, pois o time quase sempre era desclassificado justamente no mata-mata.

Logo antes das oitavas de final, um anúncio de tragédia.

Desclassificação no Campeonato Paulista para a Ponte Preta, que dias antes havia sido derrotada para o time reserva.

Mais uma vez, o time cresceu.

Cresceu e convenceu, eliminando o Emelec com uma vitória fácil no Pacaembu, demonstrando a força do time em casa.

Logo em seguida, vieram os dois jogos mais difíceis de todo o torneio, empate sem gols com o Vasco no Rio de Janeiro, com direito a anulação de gol impedido por centímetros e vitória apertadíssima nos últimos minutos em São Paulo.

Nesse jogo, o Goleiro Cássio fez a defesa mais incrível que tive a oportunidade de assistir até hoje. Defendeu com as pontas dos dedos um chute cara a cara de Diego Souza muito bem colocado em seu canto esquerdo.

Na semifinal, confronto com o terceiro maior rival, o até então temido Santos de Neymar.

Nos últimos anos, o Corinthians havia sofrido praticamente só derrotas para o Santos.

No entanto, mais uma vez o time cresceu na decisão, impôs seu ritmo de jogo – com direito a anulação de Neymar por Jorge Henrique – e venceu sem sofrer grandes riscos.

Finalmente, após 52 anos de existência da Copa Libertadores, o Corinthians estava em uma final do torneio.

E não era em qualquer final, era diante do Boca Juniors, time mais temido da história do torneio e com desempenho exemplar contra brasileiros, além de contar com um verdadeiro caldeirão como estádio e Riquelme como Maestro.

No primeiro jogo, o sufoco foi grande. O Boca saiu na frente e teve diversas oportunidades de gol.

No entanto, a estrela de Tite brilhou e Romarinho, assim que colocado em campo pelo treinador, fez o gol de empate.

O fim do jogo trouxe mais sufoco e até mesmo bola no travessão, mas o time conseguiu sair da Argentina com o empate.

No jogo de volta, Pacaembu lotado e outros 30 mil corintianos no Anhembi.

O jogo foi relativamente tranquilo, com 2 gols de Emerson Sheik e finalmente o corintianos pôde soltar o grito de campeão da América.

A comemoração durou dias. Não foi uma conquista qualquer, pois pela primeira vez desde que o campeão precisa disputar 14 jogos para levantar a taça, um clube fez a campanha do título sem derrotas.

De quebra, ainda obteve a melhor média defensiva da história do torneio, com 0,28 gol por jogo.

Depois disso, o time apenas cumpriu tabela no Campeonato Brasileiro, sem fazer grande esforço.

Nos últimos 5 jogos, força máxima para dar ritmo de jogo e readquirir o entrosamento para a disputa do Mundial Interclubes.

Após ter passado 4 anos sem uma derrota sequer contra o São Paulo, segundo maior rival, o Corinthians voltou a sofrer duas derrotas consecutivas diante do rival – apesar de gol mal anulado –, contra os reservas do adversário, o que aumentou as especulações sobre as chances no Mundial.

Já no embarque, uma previsão do que seria o show da Fiel Torcida.

Nada menos do que 15 mil torcedores compareceram ao aeroporto de Cumbica para assistir ao embarque do time para o Japão.

Trata-se de um dos maiores deslocamentos de fãs de futebol na história do esporte, para um evento que não seja uma partida de futebol. Seguramente o maior para se despedir e desejar boa sorte a um time.

No primeiro jogo, contra o Al Ahly do Egito, o time jogou muito mal, chegou a ser dominado no segundo tempo e passou para afinal com vitória magra por 1 x 0, em gol feito por Guerrero após cruzamento sensacional de Douglas.

Aproximadamente 25 mil corintianos lotaram o estádio e empurraram o time.

Em contrapartida, o Chelsea, que fazia péssima temporada, goleou os adversários nos jogos que antecederam o Mundial e ainda passaram fácil pelo Monterrey do México na semifinal, pelo placar de 3 x 1.

Muitos analistas chegaram a dizer que, se ambos os times repetissem o futebol da semifinal, o Chelsea golearia o Corinthians. Os corintianos também já não apresentavam o mesmo otimismo, mas seguiam esperançosos.

De quebra, o Monterrey demonstrou, horas antes da final, que de fato era mais time que o Al Ahly e encerrou a participação no campeonato em 3º lugar, após vitória por 2 x 0.

Calcula-se que ao menos metade do estádio, ou seja, 33 mil torcedores eram corintianos vindos de diversas partes do mundo ou residentes no Japão. O papel da torcida foi destaque em todo o planeta.

O Chelsea se armou todo no ataque, abrindo mão de volantes de marcação e confiante em uma goleada.

Em contrapartida, Tite resolveu intensificar a marcação em Hazard e colocou Jorge Henrique para marcar o armador e povoar o meio de campo.

Deu certo.

O Chelsea, bem marcado, ficou limitado aos lançamentos nas costas da zaga do Corinthians, enquanto o time brasileiro dominava o meio de campo e saía com a bola dominada.

Ainda assim, a qualificação técnica do time Inglês fez com que os tais lançamentos nas costas obrigassem o goleiro Cássio a operar verdadeiros milagres em campo.

Houve ainda uma chance clara de gol dos ingleses na bola parada, em cobrança de escanteio, e outra no chute de média distância. Todas pararam nas mãos (pernas e barriga) de Cássio.

Já o Corinthians chegava mais sólido ao ataque, envolvendo a zaga do Chelsea com passes rápidos e infiltrações.

No segundo tempo, finalmente o gol corintiano e justamente originado em bola trabalhada.

Paulinho recebeu passe da zaga e, de letra, colocou a bola na cabeça de Jorge Henrique, que devolveu de primeira.

Paulinho então cortou para a esquerda, trazendo toda a zaga do Chelsea consigo.

No entanto, saiu da bola e deixou-a para Danilo, que cortou para a direita, desbaratinando totalmente a zaga adversária, que limitou-se a se lançar ao chão e correr para dentro do gol, tentando formar uma barreira.

Mesmo com a zaga desmontada, o chute de Danilo foi parcialmente bloqueado, espirrando e sobrando na cabeça de Guerrero, que apenas empurrou para o gol, por cima da barreira desesperadamente formada pelos jogadores do Chelsea.

O Corinthians administrou bem a vantagem e passou a jogar no contra-ataque, apesar de seguir povoando o meio de campo.

No fim do jogo, o zagueiro Cahill, do Chelsea, ainda foi expulso por jogada confusa com Emerson Sheik.

Além disso, um gol do Chelsea foi muito bem anulado, após cabeceio para o gol feito por um Fernando Torres completamente impedido.

E o jogo ainda acabou com uma bola na trave.

O Corinthians se tornou bicampeão do Mundial Interclubes da FIFA, posto ocupado ao lado apenas do Barcelona.

Esse texto não pretende, de maneira alguma, desmerecer ou comparar as conquistas do Corinthians com as de quaisquer outros clubes.

Pretende, sim, comparar a capacidade de reação e crescimento desse time na adversidade.

É isso que fascina a Fiel Torcida e os amantes do futebol e intriga os adversários.

O Corinthians possui mais conquistas como azarão do que como franco favorito.

Sempre cresce após grandes sofrimentos.

A cada humilhação, retorna mais ambicioso, preparado para alçar voos maiores.

O Corinthians não se tornou grande por suas glórias, se tornou grande por seus sofrimentos.

Sofrimentos esses que possibilitaram o crescimento e as glórias.

23 anos de jejum trouxeram a torcida apaixonada e gigante.

20 anos sem campeonato nacional trouxeram 5 títulos nacionais e a consolidação como um grande time.

Eliminações traumáticas contra o maior rival na Libertadores trouxeram o primeiro Mundial Interclubes.

A queda para a série B trouxe notoriedade internacional, receita de clube europeu, marketing de primeiro mundo e o Fenômeno.

O fracasso no centenário trouxe o Estádio de primeira linha e a maior festa de aniversário da história do futebol.

A eliminação contra o Tolima trouxeram a primeira Libertadores e o Mundial Interclubes, ambos invictos e com meros 4 gols sofridos em 16 jogos!

Corinthians, você me fascina.

Obrigado por transformar cada sofrimento em uma alegria ainda maior.

Obrigado por me ensinar a crescer na adversidade, por maior que ela seja.

Obrigado por tornar 2012, apesar de tão difícil, em um ano tão lindo e memorável!

Obrigado por existir e me fazer feliz!

Talvez, todos esses episódios tenham sido suficiente para levar o Corinthians ao ápice.

Talvez, novas quedas virão, seguidas de mais crescimento.

Não tenho como saber isso, pois só o tempo dirá.

Penso que, ainda que não soframos novas humilhações, derrotas surpreendentes e amargas – afinal, o Corinthians alcançou novo patamar futebolístico –, a relação do Corinthians com a vitória suada, apertada e na raça, jamais será desfeita.

O que tenho como saber e sei com toda a certeza é que, independentemente disso, serei corintiano até a morte!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Bianca - Boletim 13

13º Boletim!



Para muitos, pode significar um boletim místico, carregado de energias sobrenaturais.


Para outros, superstição, mas não é para tanto.

Já alguns diriam: besteira.

Bom, cada um é livre para tirar suas próprias conclusões.

Depois de ler, é claro!

Nos últimos dias, tivemos algumas várias novidades.

Além da colaboração alimentícia e como carregador, tive que pôr em prática meu lado "Advogado Barraqueiro".

Tivemos algumas dificuldades para obtenção de enfermeiras, até que um dia os responsáveis em fornecer um profissional da área simplesmente disseram "ah, cuida dela aí e, qualquer problema, liga que a gente acode".

Aí a paciência acabou né. Mas nada que um bom barraco jurídico não desse jeito! 

Desde então não houve mais qualquer problema no comparecimento das enfermeiras.

Logo depois do último Boletim, o Fisiatra confirmou a aplicação do Botox para o dia 2 de Dezembro.

Os relatos dão conta de que a agulha não era grande, era gigante!

A família deixou o Dr. trabalhar em paz e sozinho, para evitar desmaios.

A Bibi sofreu um pouquinho, mas não teve muito jeito... O importante é que a aplicação foi bem sucedida.

A perna não esticou completamente ainda, mas tá melhorando.

O Fisiatra está satisfeito com a recuperação dela. Acha que ela está se saindo bem, tem evoluído bastante e o prognóstico é bom.

No dia anterior, o Neurocirurgião foi vê-la.

Também gostou muito do que viu.

A opinião dele pode ser resumida em uma frase "A Bianca evoluiu muito nesse um mês fora do hospital. No hospital, as respostas dela eram confusas e inconsistentes. Agora são muito claras e constantes."

Enfim, eles acham q Bibi vai muito bem e que esse mês que ela passou fora do hospital representou um verdadeiro salto!

Agora, temos um embate entre os médicos.

No sábado, o Neuro falou que o ciático dela, embora vá evoluir e ela vá conseguir andar, não irá se recuperar tão bem.

Já o Fisiatra achou que, se ela movimenta os dedos dos pés (e ela movimenta), o ciático deve ficar bom.

Nós tentamos organizar uma richa com ringue e tudo para decidir quem pode mais, mas, surpreendentemente, eles se recusaram a participar da brincadeira...

Então ficamos só nas apostas por enquanto.

Estamos tentando analisar o fenômeno, pois as apurações preliminares dão conta de que tese do fisiatra de recuperação total conta com pouco mais de 1000 apostas, enquanto que a tese Neuro já possui 1 aposta.

O Neuro não quis confirmar a informação de que ele teria apostado em si mesmo...

Eu conheci o novo Dr. da Bi, aquele que associa o tratamento neurológico com a parte espiritual e homeopatias.

Ele está otimista e também satisfeito com as evoluções apresentadas (mais um que aposta na boa recuperação do ciático).

Manteve a previsão de que, em 12 semanas desde o início do tratamento, ela estará seminova.

Ainda restam 8 semanas e 3 dias ao nosso novo amiguinho. Mas sem pressão!

Bom, vamos às novidades apresentadas pela pequena notável.

A primeira é que, devido ao sucesso do episódio no qual eu perguntei "quem é a minha gatinha?" e "quem é o seu gatinho?", pai, avô e mãe resolveram fazer  a mesma interação com a Bibi, cada um fazendo sua própria pergunta do tipo "quem é o(a) ... da Bibi".

Juram de pés juntos que esse súbito interesse nessas perguntas não tem nenhuma pontinha de ciúmes.

Felizmente a Bibi, diplomática como sempre, atendeu à todas as solicitações, evitando crises familiares. Apontou para si e para a pessoa que perguntava sempre na hora certa, em todas as tentativas.

Depois disso, ela apresentou várias interações com os dedinhos da mão direita.


Fez o V da vitória, o sinal do Rock'n Roll |m|_, mandou um ou outro tomar no C* n|n_, dentre outros.



Até o sinal do Spok (algo do tipo \\//_) ela fez. Tudo com a mão direita.


Obviamente que chegou o momento em que ela cansou, porque começou a se sentir uma verdadeira cobaia, com tanta gente pedindo "faz isso, faz aquilo...".

E desde então, coincidentemente, o que ela mais tem feito é n|n_ .

Todas essas novidades tem causado bastante alegria em todos.

E não posso deixar de lembrar de como essa história trágica, mas com final feliz anunciado, começou, em Rio Preto, há 8 meses.

No primeiro fim de semana em que consegui visitar a Bibi após o nosso acidente, lembro-me de ela ainda completamente imóvel e de olhos fechados e nós empolgados porque o dedão do pé esquerdo “tremilicou”...

Existem mais algumas boas novas.

Na sexta-feira, passei bastante tempo conversando com ela.

Falei para ela ter garra, que ela já venceu os desafios mais difíceis, que agora falta pouco para ela ficar boa.

Treinamos a fala. Ela tentou e tentou muito. Abriu e fechou a boca, movimentou a língua e emitiu vários grunidos.

O que mais notei é que a movimentação da língua aumentou bastante.

Acho que vai acontecer em breve.

No domingo, ela também fez umas interações incríveis comigo.

Foi engraçado, porque no almoço com minha família, debatemos justamente qual seria o nível de consciência dela. Eu achava que era baixo, bem básico.

Bom, acabei de almoçar e voltei para a casa da Bi para, literalmente, queimar a língua!

Estava fazendo algumas perguntas básicas para ela e treinando ela para fazer sinal de positivo e negativo:

  
Ela consegue fazer o positivo bem, mas o negativo ela só abaixa o polegar até a altura do dedinho, sem girar o pulso (apesar de que ontem ela tentou girar o pulso).

Enfim, primeiro treinei falando sim e não e vendo se ela fazia o positivo e negativo.

Depois pedi para ela segurar o dedo no positivo e também no negativo.

Como ela se saiu bem, resolvi brincar com ela e falei para ela ficar boa logo, pq o pai dela tava definhando no Direito sem as aulas dela. Ela fez um positivo!

Resolvi ser mais ousado. Perguntei se ela se lembrava de uma discussão que tivemos uma vez sobre pena de morte em tempos de guerra no Brasil. Ela fez positivo!

Perguntei então se ela lembrava da minha formatura. Novamente positivo.

Então pensei “ah, tá fazendo positivo para tudo...” e perguntei “então vc lembra de tudo?” e ela fez Negativo!!

Falei que ela tava indo muito bem, que ia ficar boa logo e tal e que tava cada dia mais perto, que ela precisava se dedicar a falar que tudo melhora junto (o neuro novo dela falou que a fala pode desencadear uma melhora nas demais funções motoras).

Ela fez um positivo. Fiz mais umas perguntas que não lembro direito, até que perguntei se ela estava animada, feliz. Ela fez negativo.

Eu falei q sabia q tava difícil, que era muito lento e doloroso, mas que ela não pode desanimar, porque tá ficando boa rápido, que tá todo mundo animado e impressionado com as evoluções e que apesar do acidente grave, ela já chegou muito longe com garra e dedicação, que agora estamos na reta final.

Ela não fez nem que sim nem que não, mas eu juro que durante toda essa conversa, pareceu muito, muito, muito que ela estava me entendendo completamente!

Mais tarde, no mesmo dia, ela sentiu bastante dor na perna direita, que é a travada.

Demorei uns 5 minutos para conseguir descobrir como aliviar a dor.

Aí falei para ela que quando ela conseguir falar, vai sofrer menos, porque vamos poder entender na hora o que ela quer e precisa e isso é muito importante.

Ela me olhou com uma cara de “Ah é?”.

A novidade que considero mais legal dos últimos dias veio ontem.

Durante a físio, a fisioterapeuta estava fazendo um exercício de esticar e dobrar a perna da Bi e contando em voz alta de 1 a 10 (são 10 repetições).

De repente, OUT OF NO WHERE, a baixinha começou a levantar os dedinhos da mão direita junto com a contagem. Levantou o indicador no 1, manteve e subiu o médio no 2, manteve ambos e subiu o anelar no 3 e assim por diante.

Quando chegou no 6, ela foi baixando os dedinhos um a um até baixar todos no 10!

A tese mais aceita pelos médicos é de que, em função da intensa dor na fisioterapia, ela começou a notar que, vez ou outra, as pessoas perdiam a conta e acabavam fazendo 11 ou 12 repetições.

P. da vida, ela resolveu “ensinar” todo mundo a contar. O recado é simples “meus queridos, nem 11, nem 12, nem 13, são 10, DEZ, DIEZ, TEN!! Vamos contar direito pelo amor de Deus!! Se fosse a perna de vocês, ninguém tava perdendo a conta!”

Mas ainda não temos comfirmação dessa tese.

Enfim, o fisiatra ficou impressionado porque ela contou sem indução, o que representa um raciocínio totalmente autônomo. Novidade das grandes.

Depois o pai dela contou novamente e ela acompanhou com os dedos na minha frente. Eu vi!

Outras boas novas são que ela usa a toalha sozinha para limpar a boca e tem arrumado o cabelo atrás da orelha. Essas eu vi!

Existem relatos também de que já passou batom e penteou o cabelo. Mas desses não sou testemunha!

Enfim, o boletim está longo, mas as novidades são muitas!

De sexta-feira para hoje, ela fez coisas novas todos os dias.

Isso aumentou a nossa expectativa. Aguardemos as próximas novidades.

Por hora, o que eu sei é que "Bianca boa logo" tem 13 letras!

E "Bibi Guerreira" também!