Culpados!
Não há como começar o texto de outra forma.
Os Réus do Mensalão são, ao menos moralmente, culpados.
O PT surgiu em 1980 como partido comunista que objetivava redemocratizar o Brasil e lutar contra a corrupção incrustada em todas as esferas do poder.
Passou mais de 20 anos fazendo forte oposição à política da pouca vergonha que estava instaurada no Brasil.
Se opôs à constituinte, ao Plano Real, ao governo Collor, ao governo FHC, às privatizações e foi responsável por uma série de CPIs, ações administrativas e judiciais que investigaram e pressionaram toda essa corja.
E por mais de 20 anos, o PT jamais havia sido alvo de uma denúncia significativa de corrupção, sendo exemplo de partido honesto e que verdadeiramente zelava pelo bem de todos.
É inegável, portanto, que o PT possui uma trajetória belíssima ao menos até o ano 2000.
Isso sempre incomodou muita gente, que atribuía ao PT ares de partido golpista, de esquerdismo irracional e de despreparo.
Mesmo assim, o PT crescia ano após ano, eleição após eleição, mas não conquistava seu maior objetivo, o de alcançar a Presidência da República.
Para alcançar isso, algo mudou nas eleições de 2002. Lula, o petista que era maior do que o PT, mudou.
Apareceu de barba bem aparada, cabelo penteado, terno, discurso alinhado e educado.
Não foi difícil convencer a militância petista de que isso era uma mera repaginada para alcançar a Presidência da República, mas que nada mudaria em termos ideológicos, pelo contrário, os sonhos se tornariam possíveis.
O que surpreendeu foram as alianças com partidos sempre tidos como inimigos e até mesmo direitistas, como PMDB e PL (alianças que incomodam os militantes até hoje).
Ainda assim, comprou-se a ideia de que o governo seria nos moldes do PT e que foram os partidos que se adaptaram ao projeto do PT e não o contrário.
Lula foi eleito e iniciou seu governo com um discurso emocionante, no qual garantia que acabaria com a fome no Brasil por meio do programa lançado logo na posse, o Fome Zero!
Logo surgiram denúncias e áudios produzidos pela Revista Veja na qual se mostrava como o PT costurou a aliança com o PL, por meio de um pagamento que, salvo engano, girava em torno de 20 milhões de reais.
Esse fato, embora não representasse corrupção a priori, incomodou a todo e qualquer petista, pois parecia que estavam vendo um velho filme produzido por novos protagonistas, dos quais não se esperava esse comportamento.
Pouco depois as denúncias se acentuaram e foi instaurada a CPI dos Correios, na qual se investigou desvios de verba da empresa estatal.
A Revista Veja logo apontou Roberto Jefferson, homem forte do PTB, como o responsável pelos desvios nos correios.
Depois disso, a casa literalmente caiu. Uma sucessão de denúncias jogou os holofotes de maneira tão acentuada sobre Jefferson, que ele rapidamente entregou (ou inventou) todo o esquema de corrupção, dando detalhes sobre os envolvidos, a logística e, principalmente, o objetivo dos desvios, que era a compra de apoio político nas votações governistas.
Inicialmente negou-se qualquer contravenção.
No entanto, logo surgiram documentos que comprovavam empréstimos para o PT obtidos no Banco Rural e com as assinaturas de Marcos Valério e José Genuíno e dados sem qualquer garantia.
As denúncias eram tão sérias, tão cheias de evidências, que não foi mais possível negar integralmente a história.
Diante da robustez, o PT mudou o discurso e passo a afirmar que tudo não passava de um esquema para obter recursos de campanha de maneira não contabilizada, vulgo, Caixa 2.
Ou seja, o PT, símbolo da ética e luta contra a corrupção passava agora a defender que apenas cometeu um crime menos grave, que os desvios ético e moral era menores do que o acusado, embora existentes.
Falava-se de práticas baixas e escabrosas com a maior naturalidade. Os autores de discurssos inflamados contra quaisquer deslizes eram, agora, tolerantes e protagonistas de esquemas de corrupção que se limitavam a qualificar como "menos graves"
Falava-se de práticas baixas e escabrosas com a maior naturalidade. Os autores de discurssos inflamados contra quaisquer deslizes eram, agora, tolerantes e protagonistas de esquemas de corrupção que se limitavam a qualificar como "menos graves"
Usavam discursos que já saíram das bocas de Paulo Maluf, José Sarney, Fernando Collor e tantos outros, o famoso “não é nada disso que você está pensando”.
Para um militante do PT, um indivíduo que sonhou com a alçada do PT ao poder, que imaginava todos os dias a mudança que o PT traria para esse país, isso significou imediatamente a ruptura desse ideal com a realidade.
Já não importava mais se existiu Mensalão ou Caixa 2 ou o que quer que seja, pois o PT acabava de se igualar aos demais partidos, vendido, corrupto, antiético e pior, dissimulado.
Aquele partido que se sonhava, provaria que o poder não corrompe, estava corrompido. Tornou-se a prova dos mais céticos de que todos tem seu preço.
E pior, tratava disso com a maior naturalidade, apenas afirmando que era a corrupção A e não a corrupção B da qual lhe acusavam.
E pior, tratava disso com a maior naturalidade, apenas afirmando que era a corrupção A e não a corrupção B da qual lhe acusavam.
Portanto, os Réus do Mensalão são moralmente culpados muito antes do caso chegar ao STF, muito antes de votos serem proferidos ou provas serem produzidas.
A culpa moral dos Petistas decorre do discurso saído de suas próprias bocas.
O PT seguirá sendo o PT, mas deixou de ser, naquele momento, o sonho de poder e de política da esquerda brasileira.
Portanto, para o Petista ESQUERDISTA, para aquele que sonha com governos brilhantes de movimentos de esquerda, da alçada da esquerda ao poder, da prova de que somente com uma política de esquerda se pode chegar a um mundo melhor, mais justo, mais ético, menos corrupto, o PT não representa mais um sonho.
Existem ainda muitos Petistas Petistas, ou seja, não são esquerdistas. A filosofia de poder deles se chama PT e nada mais.
Para eles, o sonho continua vivo, o PT está no poder e está fazendo um excelente governo e isso é o que importa, o resto é apenas o pequeno preço a se pagar!
No entanto, esse preço chama-se velha política, se chama: tornar-se o velho lobo em pele de cordeiro.
Por isso, os investigados do Mensalão são, há muito, culpados moralmente.
E nada vai apagar isso da história do PT.
Ponto final.
Surgem, no entanto, novas questões.
Ponto final.
Surgem, no entanto, novas questões.
E faticamente, será que são culpados nos termos em que estão sendo julgados?
Será que está sendo feito um julgamento justo? É baseado em provas?
O STF está acertando? O STF quer acertar?
Os Ministros do STF são imparciais?
Existia uma pressão popular pela condenação?
Embora não seja mais um sonho da esquerda, será que o PT se iguala em todos os aspectos aos demais partidos?
São muitas perguntas que precisam ser feitas e analisadas.
O resultado do primeiro julgamento do Mensalão, para mim, foi há muitos anos, quando o esquema surgiu.
Nesse julgamento, os Réus são inquestionavelmente culpados.
Contudo, esse primeiro julgamento afastou os esquerdistas do PT, que se tornou um prato cheio para a direita e a mídia. Seria a tão sonhada prova de que a esquerda é hipócrita, fútil e barata.
Elas, então, passaram os últimos 7 anos cobrando um único resultado do segundo julgamento do Mensalão. Aquele que provaria a superioridade do conservadorismo.
Embora a Justiça deva, em tese, seguir regras mais severas, o que se observa é um julgamento de cartas marcadas.
Nesse julgamento, os Réus são inquestionavelmente culpados.
Contudo, esse primeiro julgamento afastou os esquerdistas do PT, que se tornou um prato cheio para a direita e a mídia. Seria a tão sonhada prova de que a esquerda é hipócrita, fútil e barata.
Elas, então, passaram os últimos 7 anos cobrando um único resultado do segundo julgamento do Mensalão. Aquele que provaria a superioridade do conservadorismo.
Embora a Justiça deva, em tese, seguir regras mais severas, o que se observa é um julgamento de cartas marcadas.
Não quero dizer que não são culpados, pois podem muito bem ser. O que quero dizer é que há pouco interesse em saber essa resposta.
Resta, portanto, analisar o resultado do segundo julgamento, que está em curso no STF!
Embora já imagine as respostas, essa análise será feita em novo texto, tão logo o julgamento acabe e se saiba efetivamente o resultado.
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