domingo, 15 de julho de 2012

A resposta que eu não tenho e não sei quem tem

Dizem que a adolescência é a fase das descobertas e das dúvidas. Talvez devêssemos adicionar à essa máxima a juventude também.
Afinal, é impossível se obter uma resposta, fazer uma descoberta sem que exista antes uma dúvida, ainda que oculta.
O que é sabido é que nessa fase, fazemos os grandes questionamentos sobre o mundo, sobre o que queremos ser e porquê. Também definimos nossas principais características, como caráter, sexualidade, rumos e outros.
É inegável que, de fato, fazemos escolhas.
Normalmente escolhemos se vamos cursar uma faculdade ou não, qual curso nos atrai, quais rumos queremos dar aos conceitos que aprendemos, como utilizá-los.
Também se confirma nossa orientação sexual e, em muitos casos, o rumo que a vida afetiva tomará.
Esses são apenas alguns exemplos das inúmeras definições ocorridas no período.
É muito comum também que façamos questionamentos políticos, religiosos, existenciais, éticos e outros.
Quando essa fase passa, ou melhor, quando se conclui, fica ainda um grande questionamento.
Que respostas obtivemos para tudo que perguntamos?
O problema é que a resposta a essa pergunta leva a muitas outras.
Muitos podem parar de se questionar. Mas é impossível que obtenham todas as respostas.
E essa talvez seja a maior das angústias.
Tomamos inúmeras decisões, damos um rumo na nossa vida, muitos conquistam seus objetivos, outros não.
Mas a pergunta persiste. O que há por trás de tudo isso?
Nós sabemos o que sentimos quando somos bem ou mal sucedidos, quando sofremos ou ficamos felizes, quando desistimos ou conseguimos.
Mas será que existe alguma diferença verdadeira?
Não estou falando de "fazer o bem" ou "viver as convenções sociais (lei)".
Embora isso pudesse ser incluído, os religiosos teriam a resposta na ponta da língua: "Deus tá vendo", "O pai  vai te julgar", "As decisões desse plano influenciam no pós-vida/reencarnação".
Ok. Vamos deixar tudo isso de lado por um instante.
Vamos presumir que tudo isso esteja correto e vamos simplesmente dar outra abordagem ao tema.
E se fizermos a escolha de não tentarmos ser bem sucedidos e apenas viver um dia após o outro até que eles se acabem?
E se escolhermos viver uma vida triste?
E se decidirmos não tomar nenhuma responsabilidade em nossas mãos?
Ok, tem também a resposta de "você viverá uma vida vazia, sem sentido, não deixará marcas"
Mas de verdade, qual é a consequência real e prática disso?
"Pessoa bem sucedida e feliz" x "Pessoa mal sucedida e infeliz". Os dois morrem.
Qual a diferença?
Não vale responder com consequências dentro da própria vida, porque aí ela só teria um sentido em si mesma. E isso não faz o menor sentido!
Dos conceitos de vida que criamos (todos eles), quais não foram criados por nós mesmos?
E se nós criamos eles, então nós estamos afirmando como devemos viver a própria vida e traçando as consequências de se fugir a essa regra?
Se desconhecemos as consequências, não há sentido nisso!
Pode ser que eu esteja com alguma dificuldade de visualizar o básico aqui.
Mas a impressão que tenho é que fui ensinado a fazer determinadas escolhas por um monte de pessoas que fizeram suas escolhas simplesmente porque foram ensinadas assim, mas não sabem a verdadeira razão que há por trás de cada escolha. Qual a verdadeira consequência. Me pergunto se alguém sabe.
O que eu sei hoje, é que eu quase sempre fiz a escolha considerada correta, aquela que todos esperam, a socialmente construída.
E nem cheguei na metade do caminho.
Mas eu não vejo nenhuma consequência maior por trás dessas escolhas.
Não acho que sou uma vítima nem nada. Muito pelo contrário, dentro da vida, sou afortunado em muitos aspectos.
Só que não consigo ver qualquer resultado que supere o mero fato de viver um dia após o outro.
Planos, ideias, sonhos, todos determinados por aquilo que me foi ensinado.
No entanto, tudo isso possui a mesma fragilidade para todos.
Não existe qualquer recompensa por essas escolhas.
Estamos todos sujeitos exatamente às mesmas probabilidades aleatórias. Criamos um sentido apenas porque precisamos de um.
O irônico disso tudo é que para essa conta bater, tivemos que parar de fazer essas perguntas.
Ainda que sem ter obtido qualquer resposta...

2 comentários:

  1. João Roberto G. Gamba16 de julho de 2012 às 07:57

    Acredito que toda essa masturbação mental existencialista vem da nossa consciência humana e, assim, concordo com você, estamos todos sujeitos ao acaso e é isso, nada mais bonito, transcendental ou sobrenatural que isso, apenas o acaso.
    Alias, sobre a consciência, é ela que nos impossibilita de ser plenamente felizes...Até por isso que só quem vive mesmo e sabe alguma coisa na nossa raça são as crianças. Como dizia Oscar Wilde: "Não sou jovem o suficiente para saber tudo".

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    1. Interessante ponto de vista, muito interessante.
      Por ele, tem-se que a consciência nos cega para respostas que não sejam matemáticas, ou que fujam ao plano no qual a nossa matemática se aplique perfeitamente.
      Em uma análise extensiva, teríamos que essas respostas somente poderiam ser obtidas por meio do cessar da consciência, ou seja, a morte.
      O problema é colocarmos a resposta que dá sentido ao caminho apenas no fim do caminho e torcermos para que tenhamos acertado o trajeto. Isso torna a aplicação prática da resposta impossível.
      Além disso, isso não responte a pergunta se existe diferença nas escolhas que fazemos.
      A grande verdade é que, assim, continuamos sujeitos ao acaso, a não ser que consigamos adiantar de alguma maneira a resposta a um momento no qual ainda seja aplicável.
      Talvez, como você apontou, a chave esteja naqueles que apresentam menor grau de consciência, como as crianças.
      Nesse caso, seria necessário se buscar a resposta desde o primeiro momento, antes que a consciência os influencie.
      Não sei exatamente como isso funcionaria.
      Mas gostei!

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