Em 1964, há aproximadamente 48 anos, o Brasil sofria um duro Golpe Militar, que duraria mais de 20 anos.
Esse golpe teve consequências terríveis para a população brasileira, que foi vítima de censura, com cerceamento ao acesso à informação, prisões arbitrárias, execuções dentre outras atrocidades.
Felizmente, a sociedade brasileira se mobilizou e combateu esse regime totalitário, conseguindo, após 26 anos, voltar a eleger seus representantes!
A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP teve papel fundamental nesse processo de libertação do Brasil.
Construiu dentro de seus espaços, um núcleo de debate e fomento à democracia, que permitiu a execução de estratégias concretas em prol do voto direto.
Evidentemente que isso não foi fácil, pois a Universidade foi vítima de violenta repressão do regime militar, que invadiu e ocupou as dependências da PUC-SP diversas vezes.
Mesmo assim, a PUC-SP se desviou do seu curso natural de instituição de ensino técnico para lutar por valores e projetos que considerava mais relevantes para a sociedade brasileira naquele momento.
Foi obrigada a construir túneis que possibilitassem o abrigo de alunos, professores e militantes pró-democracia em caso de uma invasão do Governo Militar.
Também ficou impedida de lecionar e teve parte de suas aulas submetidas ao crivo do Governo Militar, tudo para conter a sede de democracia que ali ganhava forma.
Esse movimento só foi possível porque a PUC-SP contava com um ambiente democrático interno, que fomentava nos seus membros a noção da importância de uma sociedade democrática.
Sem uma democracia interna, dificilmente a PUC-SP poderia ter sido um dos berços do combate contra a Ditadura Militar!
Embora tenha demorado mais de 20 anos, o combate iniciado dentro da PUC-SP possibilitou a volta do Brasil ao mais sólido e longevo sistema democrático até hoje existente em nosso país.
Também possibilitou a formação e atuação de indivíduos conscientes do seu papel na democracia, inclusive da necessidade de protegê-la.
Entretanto, passados 22 anos da reinstauração da democracia no Brasil, a PUC-SP se vê ameaçada por um novo regime ditatorial, que dessa vez atenta contra sua própria democracia interna:
Aqui vale explicar como sempre funcionou a democracia Puquiana.
A PUC-SP sempre contou com eleições indiretas, nas quais todos os membros da Universidade votam em candidatos a reitor e uma lista dos três candidatos mais votados é enviada ao Cardeal responsável pela PUC-SP, para indicação do novo reitor.
Desde que esse sistema existe, jamais houve um episódio no qual o candidato mais votado não foi indicado e se tornou o reitor.
Ou melhor, jamais tinha havido!
Até porque, todos os candidatos, em atenção ao compromisso democrático que impera na PUC-SP, sempre assinaram termos se comprometendo a recusar a indicação do Cardeal, caso não fossem os mais votados nas urnas.
Diante disso, jamais se buscou de maneira concreta a alteração desse sistema, pois havia um compromisso tanto dos candidatos (formal) quanto da igreja (informal) em respeitar inquestionavelmente a vontade da maioria.
Eis que, no ano de 2012, surpreendentemente, a candidata Anna Cintra, terceira colocada na votação, foi indicada pelo Cardeal para assumir a reitoria da PUC-SP.
Mais surpreendentemente ainda, uma professora de 76 anos, que esteve na PUC-SP em tempos de Ditadura Militar, simplesmente rasgou o compromisso formal firmado com os alunos e aceitou prontamente essa indicação esdrúxula.
Pior, fez verdadeira defesa aos preceitos ditatoriais do famoso “manda quem pode, obedece quem tem juízo”:
“Pode haver algum tipo de dificuldade, mas vamos trabalhar e acredito que a universidade vai acabar assumindo que a escolha é de quem pode escolher, que é o dono da casa, que é o chanceler, que tem o direito estatutário de escolha.” (Anna Cintra)
Ora, é absurdo uma professora defender uma legitimidade formal, indo de encontro à imprescindível legitimidade fática daquele que detém o poder!
É exatamente o mesmo discurso adotado por Ditaturas ao redor do globo, que se legitimam pela simples promulgação de constituições nacionais, que lhes concedem poder irrestrito baseado na mera legitimidade formal.
Imagino que no ambiente Puquiano, seja uma minoria quase insignificante que se opõe às manifestações e quaisquer outros atos necessários para combater essa ameaça à PUC-SP e consequente retomada do rumo democrático.
Até porque, o aluno da PUC-SP, se não tem consciência, deve adquirí-la, de que a PUC-SP não se equipara a outras Universidades ou Faculdades privadas, onde se efetua o mero dispêndio da mensalidade e se obtém, em contrapartida, o ensino técnico posteriormente consagrado por meio de um diploma.
A PUC-SP traz e exige daqueles que a escolhem como plataforma de ensino universitário, o comprometimento com preceitos que extrapolam a mera tecnicitude acadêmica.
A PUC-SP é indissociável do debate, da democracia, da mobilização social, da luta contra as injustiças, da defesa das minorias, dentre tantas outras questões essenciais não só para ela, como para todo o nosso país.
Então, aquele que lá está tem a obrigação de entender a importância de foco total e absoluto em uma luta que garanta a manutenção da democracia puquiana, valor esse eterno e supremo, incomparável com eventuais prejuízos pontuais e sanáveis de ensino técnico momentâneo, como o adiamento de provas.
Agora, o cidadão que jamais pisou na PUC-SP, que não conhece sua história e seu papel na sociedade brasileira, esse também pode e deve ajudar na manutenção da democracia Puquiana.
A PUC-SP auxiliou nosso país em um de seus momentos mais delicados, quando teve a soberania interna de seu povo ameaçada e efetivamente tomad pela vontade de alguns.
Jamais fugiu do seu papel preponderante na reconstrução da participação da sociedade brasileira nos rumos do país.
Agora, é a PUC-SP quem precisa de ajuda para combater a ameaça contra sua soberania interna.
E o cidadão pode e deve colaborar, retribuir.
Retribuir sim, pois a PUC-SP exerceu papel fundamental para que possamos ir às urnas a cada dois anos.
Então, compartilhe textos, imagens, notícias, comentários, opiniões, panfletos, enfim, tudo o que for possível para disseminar que a PUC-SP está sob ameaça e precisa de ajuda para manutenção de sua democracia!
A PUC-SP pede ajuda a todos os indivíduos para manter sua vocação democrática.
Quem puder, também vale comparecer à Audiência Pública e auxiliar na recolocação da PUC-SP no rumo certo - que ocorrerá no dia 21 de novembro.
Quem não puder, manifeste sua indignação, já será de grande ajuda.
Até porque, vale ressaltar àqueles que não enxergam no que suas vidas podem ser afetadas por isso, que é impossível determinar quando nosso país poderá sofrer nova ameaça contra sua soberania.
Se isso ocorrer, a PUC-SP estará lá para ajudar a defendê-la novamente.
Mas, para isso, precisa de sua soberania interna, raiz de sua força.
LONGA VIDA À DEMOCRACIA PUQUIANA!!!
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